Criando experiências. Conteúdos de Literatura, História, UX Writing e artes em geral.
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quinta-feira, 7 de maio de 2020
A concorrência é uma coisa boa?
Não sei vocês, mas quando decido refletir um pouco sobre ironias da vida, que às vezes nos envia pessoas aparentemente extraordinárias para nos ensinar coisas incríveis, por alguma razão elas se afastam de você.
Algumas vezes me pergunto o que faço de errado, e hoje eu fui impactada por um frase que apareceu em minha mente subitamente, como se fosse uma voz dizendo para mim: Gaby, se seus colegas de profissão estão se afastando de você é porque eles te vêem como concorrente, mas não se preocupe, querida! Isso significa que você está no caminho certo.
De repente essa voz se transformou em um rosto e piscou para mim.
Acho que preciso diminuir a dose de cafeína.
quarta-feira, 9 de outubro de 2019
Autor independente e desconhecido
por Gabriella Gilmore
Ser autor
independente e desconhecido é sofrido.
Você pode
ter uma criatividade incrível, uma sacada genial para compor seus personagens e
escrever diálogos sensacionais, mas as pessoas não estão nem aí. Afinal, seu
nome não está nas revistas de cultura ou na lista dos livros mais vendidos do
mês.
Ser autor independente e desconhecido é caro demais.
Quando
você decide lançar um livro com a cara e coragem, você investe o dinheiro que
não tem junto com a fé que te sobra, e no final das contas, você paga a conta
sozinho.
Ser autor independente e desconhecido é de virar os olhos.
Sempre
tem um ou outro pedindo livro seu. Eu disse pedindo, e não comprando. As
pessoas não entendem que você não tem livros e nem grana sobrando para
presenteá-los, porque se você não os vender para cobrir as despesas, consequentemente
não terá dinheiro o suficiente para dar cortesias aos colegas.
Ser autor independente e desconhecido é muito deprimente. Você implora para a família e os amigos para te ajudarem a divulgar seus textos, sendo que isso deveria ser algo natural e espontâneo de quem o vê dar o sangue com seus trabalhos. Custa ajudar sem a gente soltar uma intimação?
Contudo, ser autor independente e desconhecido chega a ser muito bom porque você é dono de suas ideias, não precisa enlouquecer com prazos e cobranças da editora, e por ser desconhecido, consequentemente ninguém julgará seus textos de forma cruel.
Será mesmo?
Em síntese, ser autor independente e desconhecido é para aqueles que amam a arte literária sem esperar nada em troca, afinal, escrever nos dá algo que não tem preço, a liberdade de sermos nós mesmos, e o melhor, de sermos poetas.
quinta-feira, 3 de outubro de 2019
A moça do Sr. El
por Gabriella Gilmore
Kátia era uma mulher independente,
trabalhadora, do sorriso largo que andava na maioria das vezes de muito bom
humor. Os únicos dias que ela ficava diferente eram quando acordava emotiva ou
apaixonada. Kátia chorava por ser amada ou por amar demais. Essa era a nossa
querida Kátia.
Kátia tinha um grande amigo. Ele era
seu confidente, e por ter este título, ela sempre o confiava à pergunta
principal do seu dia: como estou hoje.
Esse amigo era o espelho do elevador.
_ Bom dia Sr. El. Como estou hoje?
_ Oh minha querida Kátia. Você está magnífica, como
sempre!
Kátia deu um sorriso e aproveitou
para fotografar aquele momento.
Colecionar aqueles
generosos elogios a ajudava afirmar quem ela era no mundo.
E Kátia sabia do seu
valor.
Além de ser administradora numa
grande empresa de automóveis na capital, Kátia também era promoter, filha
ajudadora, tia de sobrinhos sanguíneos e daqueles que ela escolheu adotar,
amiga acolhedora, instrutora de yoga e muito querida no centro onde ela tomava
conta do serviço social. Kátia era quase uma heroína da Marvel.
Um dia, Kátia acordou enferma. Ela
estava tão indisposta que mal conseguiu se levantar para pegar seu telefone e
mandar mensagem para alguém.
Kátia queria mesmo
era ouvir o que o Sr. El tinha para lhe dizer nesse dia.
Kátia adormeceu mais
um pouco.
“Trim, trim, trim”.
Seu telefone tocou.
Kátia custou a se levantar para
pegá-lo.
Com a lentidão para atendê-lo,
perdeu a ligação.
Era sua irmã mais velha.
Ela aproveitou que já estava de pé,
foi ao banheiro lavar o rosto e decidiu não ir trabalhar. “Antes de eu voltar para a cama, preciso conversar
com o Sr. El”. Pensou Kátia.
Desanimada, ela se
direcionou ao elevador.
O mesmo já estava
subindo trazendo algum vizinho.
Kátia cumprimentou a
senhora Carminha do apto 1105 e entrou no elevador.
_ Bom dia Sr. El. Eu estou um trapo. Acho que nem vou
te perguntar nada hoje.
Houve um silêncio. O espelho estava
calado.
_ Tá bom. Tá bom! Como estou hoje, Sr. El?
_ Oh minha menina! Você está maravilhosa até mesmo
cansada. Porque seu cansaço tem nome. Você trabalha muito e ama o que faz.
Manter-se ocupada é o seu maior vício, e você sabe que às vezes precisa parar
de salvar o mundo para se salvar. Volte para cama, recomponha-se que amanhã é
outro dia.
_ Eu não trouxe o celular.
_ Não precisaria. A imagem que eu tenho de você é
sempre a mesma: uma mulher sorridente, idealista, enérgica, que faz de tudo
para mudar este mundo para melhor.
Kátia abraçou a si mesma e voltou para
o apartamento.
Ela se alimentou, colocou seu melhor
look e foi viver!
domingo, 1 de setembro de 2019
Neurose e o transporte por aplicativo
Imagem extraída do google
Por Gabriella Gilmore
Era sábado de manhã, o sol já emitia sinais de que o dia seria um inferno de quente, e Catarina havia acabado de sair do salão, onde tirou a parte da manhã para fazer o SPA dos pés.
Ela precisava visitar uma amiga, mas com os pés limpos e tratados, ela preferiu chamar um Voola ao invés de pegar o busão.
Catarina detestava coisas relacionada a redes sociais ou aplicativos. Ela dizia que: “Nunca se sabe quem realmente está do outro lado, e para o caso de transportes por aplicativos, não sabemos quem irá abrir-nos a porta”.
Ansiosa e temerosa, ela confirmou a corrida.
Seu Voola estava há 4 minutos do local da partida.
Ela tirou print da tela do celular, enviou para sua amiga e escreveu: “Jú, se eu não chegar em 30 minutos, pode começar a rezar por mim”.
Quando o carro chegou, ela confirmou a placa.
Ao abrir a porta saudou o motorista perguntando seu nome e como ele estava:
- Sou o Luiz, e estou bem. Como você está?
- Bem também.
Ela quis ser o menos comunicativa possível pois não gostava de conversar com estranhos.
Catarina fez uma análise rápida dentro do carro. Viu um copo plástico no assoalho do carona, o encosto da poltrona do motorista com um rasgado enorme, e ele escutava uma música gospel instrumental.
“Com essa cara, esse rapaz não deve ser crente”. Pensou Catarina.
- Você está saindo do trabalho? - Perguntou Luiz.
Catarina revirou os olhos e pensou: lá vem o cara investigar minha vida. Tem alguma coisa errada.
E cruzou os dedos.
- Não. Respondeu o mínimo possível para não gerar um bate papo.
- Nossa que bom. Quando se tem o sábado de folga, o final de semana fica mais produtivo, né? Disse Luiz tentando puxar papo.
Catarina soltou um “Aham” anasalado e preocupado.
“Esse cara está querendo saber demais. Aposto que vai me levar para algum lugar”. Pensou neuroticamente.
Quando se deu por si, ela percebeu que o rapaz estava pegando um caminho contrário. Logo ela pegou o celular para ver o mapa.
- Luizzzzz, peraí! Estamos indo para o bairro errado. Eu quero ir para Pampulha. Será que digitei errado?
- Altere a localização. Vou parar aqui na esquina para você mudar a rota. Respondeu calmamente o motorista.
Nisso a mente de Catarina congelou por alguns segundos. Ela não sabia como fazer isso.
- Luiz, por obséquio, como eu corrijo a localização?
“Agora ele vai perceber que não sei mexer no aplicativo, e consequentemente serei uma presa ainda mais fácil”. Eram os pensamentos de Catarina borbulhando.
- Pronto. Deu certo. Disse Luiz devolvendo o celular. Parece que existe mais ruas com o nome “Lagoa do Bretas” na cidade.
- Pois é. Eu nem imaginava. Respondeu Catarina com a voz quase falhando.
- Agora vai dar certo. Retrucou Luiz.
Trim trim trim.
- Licença. Preciso atender a ligação. Disse Luiz educadamente.
- Bom dia irmã Joélia. A paz do senhor.
- Paz-do-senhor irmão Luiz. Onde você está? Perguntou apressada a mulher na linha.
- Estou rodando em Belo Horizonte. O que a irmã está precisando?
“Virgem Maria! Eu sabia que tinha algo de errado”. Pensou Catarina. “Aposto que ele está fingindo ser crente, e que o som de música gospel no seu carro e essa ligação é tudo parte de algum plano”.
Catarina começou a suar frio.
- Você está em qual carro? Perguntou Joélia.
- Uai, estou no Gol cinza. Por que?
“Viu? Eles estão falando em códigos! A mulher deve ser alguma líder de tráfico de pessoas, e agora ela precisa identificar tudo para seguir com algum plano maquiavélico”. Catarina não parava de pensar.
- Ah! Então não vai dar. É que eu precisava levar uma geladeira lá para Vespasiano, e ela não vai caber ai não.
“Tá vendo? Olha a conversa cheia de códigos! Será que ele vai me levar para Vespasiano?”
A neurose de Catarina só ia aumentando. Ela não via a hora de sair do carro.
- Eu posso tentar ver com meu irmão Zé. Eu acho que ele deve estar indo para Vespasiano neste final de semana.
- Você faria isso, irmão Luiz? Perguntou Joélia com uma voz que não transmitia nenhuma entonação ou emoção. Era estranha demais.
- Fique tranquila. Nos falamos mais tarde.
E Luiz desligou o telefone.
- Moça! Moça! É você quem pediu a corrida para Pampulha? Perguntou o motorista ao estacionar o carro e abrir a janela do carona.
Catarina estava de pé com o celular nas mãos, basicamente em transe.
E isso foi apenas seus pensamentos ansiosos enquanto aguardava o seu transporte de aplicativo.
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Com histórias assim, lancei meu novo livro chamado "O Divertido Cotidiano vs. Murphy" já disponível para pré-venda no site da editora.
Siga meu Instagram para novidades e sorteios:
@gabygilmoreofficial
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
O divertido cotidiano vs. Murphy (book)
Boaaaa noite meu povo introspectivo!!
É com muita satisfação que compartilho com vocês a pré venda do meu novo livro que está sendo feita no site da editora Clube de Autores.
A noite de autógrafo será em setembro no Giro Sabor.
Eu voltarei com a data certinha para todos vocês.
Acessem o link do > Clube de Autores e garanta a sua cópia impressa.
Não esqueça de levá-la no dia do lançamento para eu autografá-la, tá bom?
Autor bom, é autor vivo. hahaaha.
Falei isso hoje com algumas amigas.
Pensa comigo! Por que bons autores só ficam famosos depois de mortos? O que seria isso? Azar? Ou oportunismo de editoras? Sei láaaa. Só sei que se eu tivesse oportunidades de voltar no tempo, seria super amiga de Clarice Lispector, porque hoje infelizmente nunca terei a oportunidade de sentar com ela e bater um papão.
Pense nisso.
Valorize artistas que estão vivos. Compartilhe os trabalhos dos seus amigos, não custa nada.
Não temos a intenção de viver numa batalha com "concorrentes", só acho que tem muita gente boa lá fora sem o devido reconhecimento pelo simples fato de não ter grana o suficiente para se lançar, e nem amigos para caminhar junto nas divulgações.
Enfim, conto com vocês para caminhar comigo nessa nova jornada.
Beijosss!!!
@gabygilmoreofficial
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
Mulher de fases
Como a lua, eu tenho as minhas fases.
Há dias que gosto de mergulhar no meu mau humor tentando interpretar meus pensamentos.
Noutros, quero me levantar e traçar planos no qual sei que não conseguirei cumpri-los todos.
Depois quero amar todas as pessoas de uma só vez, trazendo todos para perto, no aconchego do meu abraço.
Contudo, me fecho para recarregar minhas baterias emocionais para depois poder repetir tudo isso outra vez.
Sou introspecção, energia, explosão e frieza, tudo em seu devido momento.
#gabriellagilmore
@introspectors
terça-feira, 30 de julho de 2019
Agora é “proibido” ser chamada de linda.
Crítica ao comentário de um vídeo da Madonna que recebi pelo Instagram.
Agora não
podemos mais chamar as mulheres de lindas porque isso ofende as “feministas”.
Bonito agora
é ser “feia”, cabelo no sovaco, pernas peludas, não ter bons modos e ter
bigode, por que não?
Agora não
podemos elogiar mais as nossas amigas, mães, irmãs, que estão vestidas
maravilhosamente, que estão lindas!! Afinal, o físico, o externo é apenas
filtro, produção e maquiagem.
Ah é mesmo?
Então quem
nasce com um tipo de beleza física não pode ser elogiado por isso?
Que bagunça
é essa?
Bom, quem
quer que tenha inventado esse novo “barulho” não deve estar muito satisfeito
com sua aparência.
Bom,
chega de revoltas, agora vamos refletir seriamente sobre o assunto.
Entendo
completamente o peso em que a cultura do “belo”, do grego, da ideia de
deus/deusa, nos trás há séculos e o quanto isso pode afetar algumas pessoas.
Contudo,
sabemos verdadeiramente que o externo muito das vezes anda em conjunto com o
que está por dentro. Quem não conhece pessoas esteticamente “normais” e que por
serem tão especiais, tão humanas, tão incríveis, elas embelezam o seu exterior
quase que de forma instantânea? Mágica?
Então o ser
linda não necessariamente indica apenas o que está por fora.
O
“neo-feminismo” só vem dando tiro nos pés e não é de hoje.
Elas acabam
fazendo barulhos com coisas banais porque precisam continuar na “onda”...
tirando a sociedade de um foco que realmente deveria ser abordado. (Massa de manobra?)
Apesar de
ter acontecido algumas “ondas” a mais no movimento feminista, (no qual não
concordo em como o ideal foi corrompido com o tempo), o “Neo-feminismo” me
entristece.
Vale lembrar
que o movimento feminista do século XIX tinha como foco: promover a
possibilidade quanto à “recusa” do casamento arranjado, a igualdade dos direitos
contratuais referentes a propriedades, conquista de voto e a trabalhar tendo
uma justa remuneração. O grito pela liberdade das mulheres da época é bem
diferente do grito da “liberdade” que as “ondas” vêm trazendo até os dias de
hoje.
Se formos
comparar o que as ondas dos oceanos trazem para beira mar em dias de revoltas,
à essas “ondas” do “manifesto” feminista, ficaríamos assustados. (É muito
lixo envolvido).
O mundo está
perdendo os valores em que a sociedade se baseou ao longo da nossa existência
como seres humanos. As mulheres de hoje não querem liberdade, (eu pensava que
já éramos livres) elas querem ser iguais aos homens. Mas cada gênero tem o seu
papel e o seu valor. Qual é a dificuldade em entender isso?
Da mesma
forma que não se educa homens como antigamente, eu digo o mesmo para as moças.
Elas se assustam com gentilezas masculinas, se sentem reduzidas quando algum
homem paga a conta do jantar, elas não se orgulham mais em serem zelosas donas
de casa, e agora não aceitam mais serem chamadas de lindas. rs
Hoje, as
“novinhas” que juram reivindicar alguma coisa, gostam de músicas da moda,
roupas de grifes, batons caros, demoram a começar a trabalhar, estudam em
faculdades pagas pelos pais e fazem manifestações para aparecer em redes
sociais.
Que bagunça
é essa?
Só
sabemos que agora não podemos mais chamar as mulheres de lindas porque isso
ofende as “feministas”, sejam elas lindas ou não. Onde é que vamos parar!
sexta-feira, 12 de julho de 2019
Quem matou Verinha?
por Gabriella Gilmore
Quando criança, eu conheci uma das amigas de mamãe do seu trabalho na TV local.
Verinha era uma mulher muito marcante e bela. Com seus cabelos negros, lisos e aquela franjinha sempre impecável faziam com que nós crianças pensássemos que ela era uma estrela de novela.
Aos domingos, Verinha adorava almoçar conosco, afinal, mamãe sempre fazia o melhor pescado da feira dos finais de semana.
Um tempo depois, mamãe se converteu a um culto e perdeu contato com todos os amigos da TV. Ela achava que sua vida passada era “pecaminosa” demais e não valeria a pena manter contatos com o pessoal para não cair em “tentação”. Mas isso era apenas coisa da cabeça de mamãe, talento esse que herdei ao ter a mente sempre muito criativa e cheia de teorias da conspiração.
Anos mais tarde, eu já estava entrando para a vida adulta, estávamos todos os irmãos sentados à mesa para o lanche típico do sábado à tarde, e mamãe nos entregou uma notícia muito triste:
- Encontrei com Otávio da TV Mocidade e ele comentou que Verinha morreu.
Mamãe disse que seu semblante ficou abatido instantaneamente com aquela notícia, afinal, Verinha sempre fora sua grande companheira de trabalho.
- Mas faleceu de quê, minha mãe? Perguntou minha irmã mais velha.
- De AIDS. Vejam só! Pior que eu sempre me preocupava com Verinha naquela época da TV. Ela era muito popular entre os rapazes da Associação.
- Nossa, que pena! Retrucamos quase que em coro ensaiado.
Algumas décadas depois, estávamos todos nós em família comemorando o aniversário de um figurão da nossa cidade, o nosso amigo querido, Sr. Leonard Grigorescus.
Ao chegarmos ao salão de festas, Leonard veio nos receber todo sorridente. Ao lado dele, estava sua assistente executiva. Uma senhora de meia idade muito bonita, cabelos lisos com luzes cor de mel e uma franjinha impecável.
- Verinha??? Perguntou minha irmã mais velha.
Logo Verinha e mamãe se reconheceram e deram um berro de alegria.
Houve abraços, muitos sorrisos e elogios.
Eu cutuquei minha irmã mais nova, que também se lembrava da morte triste de Verinha. “Mas ela não estava morta?” Cochichei.
Finalmente, quando Verinha veio abraçar meu irmão, a “ovelha” negra da família, ele soltou a boa da noite:
- Verinha, que emoção vê-la viva!
Verinha não entendeu nada.
- Há alguns anos, continuou a peste do meu irmão, mamãe havia lhe matado.
A gargalhada foi unânime, exceto a de Verinha coitada, que não entendeu nada.
- Mas então eu morri, foi? Perguntou Verinha toda curiosa e divertida. E eu morri de quê?
Então um silêncio pairou, as gargalhadas cessaram, eu e meus irmãos saímos de fininho, afinal, agora mamãe precisava se virar para criar outra estória para se safar das suas imaginações quase que lunáticas.
Que noite!
Hahaha
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Estarei compartilhando estórias como estas no meu novo livro chamado:
"O divertido cotidiano vs. Murphy".
Aguardem!
Instagram: @gabygilmoreofficial
quinta-feira, 27 de junho de 2019
A Jocasta e seu narcisista
Uma crônica por Gabriella Gilmore
Ele apareceu na minha vida feito
anjo com toda sua doçura cativante.
Parecia até que já me
conhecia, e sabia sobre minhas tendências em me apegar por pessoas quebradas
emocionalmente para poder cuidar e depois no futuro dar a elas a alta devida.
Persuadiu-me com sua suposta
fragilidade e carência, vítima de um lar sem afeto.
Seus medos, suas inseguranças,
suas dúvidas, pensei que o tempo o ajudaria a superá-las.
Ele não foi um bom aluno.
Ele foi um bom professor.
Ensinou-me a identificar o
relacionamento doentio que ele tinha com sua mãe.
Eu não tive maturidade para
curar este “paciente”.
Tive medo a cada crise
neurótica que ele tinha.
Tive medo a cada projeção
maquiavélica que ele jogava sobre mim.
Acabei voltando para o calabouço
sombrio da minha mente que consistia em ter pânico em situações de estresse.
Passei a viver perseguida por causa de suas fantasias e seu poder de
manipulação.
Vivi com um anjo caído que me
seduziu, me diminuiu, que deu a volta por cima só para continuar no pedestal,
onde Jocasta sorria de leve reafirmando o poder sobre seu narciso.
segunda-feira, 17 de junho de 2019
Qual é a minha idade?
por Gabriella Gilmore
To Anechka Rochester
— Nossa! Mas você é uma pessoa tão interessante!! Exclamou
Anechka, sua nova “penpal” da Rússia. Como pode estar solteira a esta altura da
vida?
— Ixi! Eu acho que não sei te responder a esta pergunta.
Talvez seja a idade.
— Não fale bobagem!!
— Quase nunca falo bobagens. E te desafio a adivinhar minha
idade. “Be my guest”.
— Humm. Acredito que esteja na casa dos 30. Acertei?
— Bom, agora iremos falar de algo bem complexo da minha
existência. Biologicamente estou com 34 anos, mas na maioria das vezes me
pareço com alguém da casa dos 50. Quando estou apaixonada fico igualzinha
adolescente de 15 anos. Porém, quando me canso dos seres humanos, ah! Eu chego
à casa dos 100 anos. Uma centenária! Veja só!!
Mulher que já viu mais do que o suficiente, que decorou como
as pessoas se articulam, que prevê atitudes alheias, às vezes até o futuro.
Mulher esta que atrai todos para perto de si porque aprendeu a viver bem
consigo mesma e com o próximo.
Uma loucura que eu já cansei de tentar entender. Consegue
enxergar o meu desafio agora?
sábado, 15 de junho de 2019
O fluxo
É tão bom nos enxergarmos através do olhar alheio!
Pelo menos ontem eu gostei de escutar que eu me pareço um caminhão desgovernado, apressado.
Vi isso como um elogio, elogio de uma aventura que estou por fazer.
Logo imaginei uma mulher livre, dirigindo seu caminhão de emoções sem medo de se apaixonar pelos sons, pelas vozes, pelas letras.
Uma mulher livre para mergulhar em sonhos lúcidos, livre para se corresponder com o externo, livre para ser ridícula, insistente, desesperada, enérgica, é o fluxo. E esse fluxo corre sem medo de ser feliz.
Eu sei que você quer me salvar. Todos querem.
Muitos parecem se importar.
Contudo, a ideia de te amar é muito melhor do que a ideia de ser salva.
Então deixe como está.
Guardarei o número do 0800 do seu guincho, pode apostar.
sábado, 8 de junho de 2019
Na carne viva
Eu acho que ela te assustou.
Ela é demais para você, não é mesmo? Ela é um mundo completo carregando tantas histórias que até você duvidaria.
Ela é demais para você, não é? Por isso você tem fugido dela.
A sua preocupação maior foi sentir um desejo natural de carregar o mundo dela para o seu, ou eu estou errada?
Todos se ferram em algum momento da vida, acredite em mim.
Portanto, recusar o amor que ela tenta te oferecer é o mesmo que comê-la viva.
Então, pega-a, come-a viva, enquanto a vida dela ainda não começou a doer.
Acho que você se assustou pelo fato dela ter te lido sem você falar muita coisa, não é mesmo?
Você chegou até pensar que ela era mais um produto falso que as mídias sociais têm criado por ai, mas não. Ela é real. Talvez você não seja real, então temos um problema a consertar.
Você ficou preocupada dela te fazer de brinquedinho em suas tardes ociosas em casa, não é?
Por isso você se fechou às trocentas perguntas que ela lhe fez, estou errada?
Ela é demais para você, não é mesmo?
Na verdade ela é demais para esse mundo, então a coma viva enquanto ainda há tempo.
#OdiárioidiotadeRafaela
quinta-feira, 30 de maio de 2019
O divertido cotidiano vs Murphy.
Boa tarde Introspectors!!
Já ouviram falar do novo material que estarei publicando em breve?
“O divertido cotidiano
vs. Murphy” é um livro de crônicas onde se fala sobre o universo feminino,
com variados assuntos usando o humor como chave. O mundo feminino é muito
engraçado. Nós mulheres somos dramáticas, exageradas, emotivas, apaixonadas,
amáveis, loucas! Isso dá muita história para contar. Mas ele não é apenas um
livro para mulheres não. Ele também é um livro para homens que convivem com
mulheres marcantes. Com personagens ecléticas e histórias curtas, até mesmo as
pessoas que não tem hábitos de ler poderão embarcar nas histórias e dar
boas gargalhadas, nunca perdendo a oportunidade de filosofar e refletir os
assuntos ali expostos, algo que eu sempre trago em minhas publicações.
Siga meu Instagram para notícias em tempo real:
@gabygilmoreofficial
Beijos!!
Capa by Aline Almeida
quinta-feira, 25 de abril de 2019
A gente se gosta sem saber explicar
É coisa de “almas” passadas.
O lado teatral da vida fez com que a gente se esbarrasse.
A história que eu vendi, você comprou.
A sua persona transmitida através de seus pensamentos, eu amei.
O choque foi quase simultâneo.
Escondemo-nos para não errarmos.
Mas o tiro foi certeiro porque a gente se gosta sem saber explicar.
Que mal há?
Existem situações que conseguem ser maior que nós mesmos.
E esses fatos nos levam para longe um do outro.
Contudo, essas coisas nunca foram capazes de acalmar o frio na barriga que você me dá a cada aparecimento seu. Em hiatos, eu te quero cada vez mais.
A gente se gosta sem saber explicar.
“Isso daria um ótimo título”. Palavras suas.
Entretanto, já faz mais de três anos, e o único título que eu gostaria de receber é: ser dona do seu coração.
#gabriellagilmore
@gabygilmoreofficial
terça-feira, 26 de março de 2019
Anna & Victória
por Gabriella Gilmore
Nele, descia o motorista juntamente com o chapa, que carregava duas caixas empilhadas uma na outra.
- Entrega para Victória Duarte. Por acaso é a senhora?
Por coincidência, era eu mesma.
Pedi por gentileza que descarregassem no hall perto do elevador.
Ali, o rapaz levava as duas caixas, e dizia que voltaria para buscar mais.
No final da entrega, eu tinha no chão do meu hall, 16 caixas encapadas de forma personalizada, linda, delicada. E em todas elas estavam escritos Anna e Victoria com vários corações em algumas das caixas.
Quando percebi isso, meu coração disparou. “Anna!” Pensei.
Antes de entender o que estava acontecendo, abri uma das caixas, e dentro havia todas as minhas cartas que ao longo desses anos eu enviei a ela e que nunca obtive respostas.
Em 16 caixas, havia milhares de correspondências minhas. Textos, músicas, cartas, crônicas, pedidos de socorro, declarações de amor.
Do lado de fora de alguma daquelas caixas havia um envelope.
Dentro deste envelope, havia uma carta para mim.
“ Vic, entenda estas encomendas como prova do meu amor por você. Posso não ter respondido nenhuma dessas cartas, mas sempre as guardei com muito carinho, tanto que as guardava em caixas personalizadas, onde Anna e Victória eram o único sentimento verdadeiro que eu cultivava e que me mantiam de pé. E te devolve-las agora é a prova de que meu amor foi recíproco, pois as li e as guardei comigo, e quero aproveitar para comunicar que estou de volta e anseio por uma carta sua, para que eu finalmente possa voltar a me comunicar com você.” Sua, Anna.
Levantei o rosto, tentei refletir, e acordei do sonho.
terça-feira, 19 de março de 2019
Altruísmo mórbido
Por Gabriella Gilmore
Nunca teremos um fim.
Nunca nem mesmo desenvolveremos uma relação.
Pelo simples fato de nunca tivermos tido a chance de
termos um começo.
As muralhas que você construiu ao longo desses anos,
ainda me mantem de pé do lado de fora, tentando achar alguma brecha para que eu
possa entrar.
Eu só queria ter a chance de te mostrar o mundo através
dos meus olhos.
Entretanto todas as ataduras impostas por você me
impossibilitam de chegar até ti.
Embora as marcas do passado te pesem o coração.
Você ainda me enxerga através dos olhos dela, e num misto
de confusão e decepções, você lança um fardo sobre nossa relação que de forma
mórbida me atrai também mais para você.
Meu amor por pessoas quebradas, meu altruísmo por querer
juntar os cacos de todas as pessoas desmontadas como você, não me deixa partir.
Sendo assim, eu insisto em ficar do lado de fora, olhando
para cada lance de tijolos que você vai construindo por fora do seu castelo
imaginário.
E presa por causa da vergonha e covardia, você continua
insatisfeita, vivendo as escuras numa vida que nunca quis para si.
quarta-feira, 13 de março de 2019
O divertido cotidiano Vs. Murphy
Este
projeto estava engavetado fazia alguns anos. Eu só não sabia o que fazer
com ele.
Confesso que já estava angustiada por se passar 8 anos e eu não ter publicado outro material.
Confesso que já estava angustiada por se passar 8 anos e eu não ter publicado outro material.
Em Janeiro deste
ano de2019, tive um insight e me perguntei: POR QUE NÃO? Esse insight
seria convidar alguns amigos que também são escritores, desses que eu gosto de
ler, a fazer parte desse novo universo que eu estava projetando.
Apesar do nome
longo, acho que estou criando um estilo sem saber ha ha, as estórias
contidas neste livro são curtas e ao mesmo tempo impactantes, seja em sorrir,
chorar ou filosofar.
Neste livro, tratarei de assuntos do cotidiano, desses quando acordamos com o pé esquerdo, que num efeito cascata tudo sai do lugar, tentando encontrar um espaço na agenda que "deu ruim".
Neste livro, tratarei de assuntos do cotidiano, desses quando acordamos com o pé esquerdo, que num efeito cascata tudo sai do lugar, tentando encontrar um espaço na agenda que "deu ruim".
Acompanhe as
notícias no meu instagram @gabygilmoreofficial
Te vejo em breve.
Gaby G.
domingo, 10 de março de 2019
sábado, 9 de março de 2019
Livro novo no ar!!!
É com muita satisfação que venho por meio do Blog Introspectors anunciar que estarei publicando livro novo este ano.
Ele já passou pela revisão e agora a capa está sendo criada. Estou suuuuper ansiosa de compartilhar este novo projeto com vocês. Ele está totalmente diferente do meu primeiro livro, "O diário idiota de Rafaela", pois como é um caderno de crônicas, você encontrará diversas estórias e personagens.
Aposto que será seu novo livro de cabeceira, porque ele está descontraído, leve e ainda assim, cheio de coisas para refletirmos.
Voltarei com mais notícias.
Fique ligado nas publicações no meu instagram: @gabygilmoreofficial
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
Conto Can't fight the moonlight
Sobre o conto a seguir.
“Eu tenho tentado escrever por diversas perspectivas. Sabe como é, no passado eu só sabia escrever coisas
deprimidas, era como se meu mundo fosse todo em preto, branco e alguns tons de
cinza. Hoje, quando estou alegre demais não consigo escrever muita coisa, para
não falar nada. E eu ando até bem por demais.
Para ter conseguido escrever
este conto eu precisei me ligar numa outra frequência. Confesso que usei um
playlist com as músicas da Lana Del Rey.
O conto “Can’t fight the
moonlight” (Título inspirado numa música de Diane Warren) tem como base a única
lua que marcou a alma e a pele da personagem, e por ela eu escrevo o transe que é estar sobre seu feitiço.
Boa leitura.
Can’t fight the moonlight
Por Gabriella Gilmore
Depois de uma viagem de muito
calor e gargalhadas, finalmente tomamos um banho revigorante, passei o meu
melhor perfume, ele fez a barba. Caímos mortos na cama king size com o ar
condicionado ligado no mínimo. “Eu poderia rolar, rolar, rolar e ainda sim
folgar espaço neste colchão enorme”. Pensei.
“Que perfume é este”?
Perguntou.
Hesitei em falar porque não
era nenhum perfume importado. Fiquei acanhada da minha simplicidade.
“Não gostei muito”. Ele
completou a pergunta.
Revirei os olhos conhecendo
bem como ele era, afinal, tínhamos mais de 15 anos de convivência, de amizade,
de carícias.
Cada um tirou um momento para
si com seus smartphones nas mãos, ambos conversando sabe lá com quem através
daquelas frias telas.
A luz do quarto ainda estava
acesa.
Meu coração não encontrava mais espaço em meu peito para continuar
pulando da forma que ele saltava.
Eu estava ansiosa. Meus órgãos
se reviravam dentro de mim, e o calor de seu corpo semi nu estirado naquela
cama, bem ao meu lado, me aquecia me seduzia, e eu sabia que nada poderia
acontecer. Havíamos nos desligado há uma década. O que mais eu poderia querer?
Apagamos as luzes.
Ainda ficamos conversando por
algumas horas na cama, olhando para a penumbra do quarto.
Seu perfume incendiava o
ambiente e seu couro totalmente fervente, me acendia de forma covarde. Eu sabia
que ele queria, todavia por alguma razão que eu não consegui ler, ele evitava
fazer qualquer movimento que indicasse que gostaria de ter uns flashbacks.
Desejamos boa noite um para o
outro por diversas vezes, feito crianças enamoradas.
Finalmente ele pegou no sono,
diferente de mim que não encontrava posição certa naquela enorme cama. Eu temi
encostar em sua pele, mesmo sabendo que o seu calor já era um convite
indecente.
Dormi.
Nesse meio tempo, sonhei que
ao tocar em sua pele, seu corpo se abriu para mim, me dando espaço para eu me
achegar. Antes, ele teria tomado posse de mim, como um bom caçador que é, porém
de alguma maneira, ele não tinha mais essa iniciativa. Contudo, no meu sonho,
eu tocava em suas mãos enquanto ele estava com os olhos fechados. Suavemente eu
ia passando a ponta dos meus dedos nos seus e ia subindo até chegar em seus
ombros. Eu pude sentir seu arrepio.
Encaixei minha mão esquerda em
seu pescoço, me virei para ele. Com a mão direita toquei em seu abdome
apalpando levemente para cima até encontrar seus lábios. O meu desejo era
localizar seus lábios no meio daquela escuridão para eu poder beijá-lo.
Finalmente consegui me
conectar a ele.
Na verdade eu descobri que eu
nunca me desconectei da sua “moonlight”, que a nossa história não começou
direito para ter terminado, e que sua presença é o meu calcanhar de Aquiles.
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