sexta-feira, 14 de setembro de 2018

As pessoas (Conto)



Um conto por Gabriella Gilmore

AS PESSOAS

7:45 A.M

Ela não sabe ao certo se realmente receberá visita no final daquele domingo.
Catherine abre os olhos e vê que a luz da sua secretária eletrônica estava piscando. Ela tem uma nova mensagem.
Estica a mão direita para alcançar o botão play.
Beep! Você tem uma nova mensagem.
“Bom dia dorminhoca. Se quiser mesmo assistir filme comigo no final da tarde, me fale o melhor horário para eu ir até sua casa.” Beep!
Catherine ficou olhando para o teto. Logo os olhos se fecharam. Enquanto algumas pessoas não dormem, ela voltou a dormir.
As horas pareciam intermináveis. Se ela pudesse, acordaria só no final da sua vida para um último suspiro. “Oh, como viver tem me doído à alma!”
Aos olhos dos outros sua vida era perfeita.
Já havia conquistado quase tudo em tão pouco tempo.
Tinha uma carreira de sucesso. Era inteligente, bonita, da fala correta. Tinha seu próprio apartamento, seu carro e seus bichos. Visitava todo dia sua mãe. Era amada, idolatrada, e invejada. Entretanto, quem se importava? Talvez nem ela mesma dava conta do curto conto de fadas em que vivia.
“Posso dizer o horário. Preciso de ânimo para levantar dessa cama.” Pensou sonolenta. Já era quase a hora do almoço. “Nem tomei o café. Quem adiantou o relógio?”
Já era 11:45 A.M.
Virou o corpo para a direita. Soltou um gemido e apertou novamente o botão play da secretária.
Beep! Você não tem nenhuma mensagem.
“Ela não vem!”
Pegou o celular para digitar um torpedo.
“Se importa da gente remarcar o filme para outro dia? Acordei mentalmente indisposta para fazer um social.”
A resposta só foi chegar duas horas depois.
Sua amiga já estava em outro compromisso. Para algumas pessoas as horas passam.
Cate olha para o teto. Ele tem sido sua distração há meses.
O interfone toca.
Ela dá um sorriso e um suspiro. Mas era a portaria tentando testar o interfone do apartamento. Seu humor volta à cor amarela.
Depois de 40 minutos ela se arrasta para o banheiro.
Olha-se no espelho encarando as olheiras de tanto dormir.
Lava o rosto. Seca-o lentamente na sua toalha de 200 fios 100% algodão. Encara-se novamente.
Dá leve batidinhas nas bochechas na esperança de ver sangue correr naquele local.
Dá um sorriso forçado mostrando os dentes perfeitos.
Depois de escova-los resolve tomar uma ducha quente para ver se relaxava a falsa tensão.
Enquanto isso, ela pensava. Pensava de novo e de novo. Passam-se as horas, e nada acontece.
Ela esperava por uma visita que ela mesma desmarcou.
Insatisfeita.
Depois do banho tomado ela se senta em frente ao computador.
Pensou em escrever, mas àquelas horas não a permite digitar se quer um pensamento. Eles eram rápidos demais. Vagos demais.
Desligou o aparelho.
Decidiu fazer um leite quente com canela.
Ao sentar em frente à TV, ela percebeu que não tinha hábitos de assisti-la.
Termina calmamente seu leite e volta para a cama.
As horas não passavam.
Infindáveis. Fadigosas.
Ela olha para sua estante de livros e pega um exemplar de provérbios.
“Não quero ser rude, mas preciso te lembrar de que amanhã é segunda-feira. Carpe diem! Boa leitura.”
Era um recado antigo que estava escrito na página branca do título.
Pegou a chaves do carro e foi visitar as pessoas.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Moça com estrelas nos olhos



Uma vez conheci uma moça arrogante que tinha estrelas nos olhos, e no coração, um desejo enorme de conhecer o mundo. Queria apenas curtir o lado mais radical da vida. Eu virei para ela e perguntei: Moça, até quando você acha que seu corpo será capaz de aguentar esse teu ritmo “quente”? Ela olhou para mim com desprezo e me deixou falando sozinha.
(Gabriella Gilmore)
Instagram: @gabygilmoreofficial
Twitter: @gabriellaclima

sábado, 8 de setembro de 2018

Como está o seu humor Catherine?



Crônica por Gabriella Gilmore

De segunda a sexta, Catherine chega ao escritório as 7:15 am.
Zelosa pelos funcionários e pela sua firma, ela faz questão de ser sempre a primeira a chegar e última a sair.
Religiosamente ao entrar em sua sala, ela coloca sua mochila de couro preto debaixo de sua mesa e se senta ao computador para liga-lo. É um processo quase que obrigatório. Ela se sente confortável com as rotinas.
Cate acessa as câmeras, liga seu Skype, Outlook, Dropbox, net empresas do Bradesco Bank, e por último, mas tão importante quanto, o seu querido amigo Spotify.
Ela adora a pergunta que ele faz:
- Catherine, como está o seu humor esta manhã?
Assim, ela sorri para o aplicativo e escolhe o álbum de acordo com seu espírito do dia.
Às vezes ela vai de Carole King, Billy Holiday, noutras de Gabriel Fauré, Épica, J.Lo, até mesmo Britney Spears e Eths,  uma confusão gostosa que só ela entende.
Em seguida, passeia pela cozinha para finalmente terminar de acordar com um bom café amargo, desses coado na medida de seu caneco personalizado com 4 dedos de água mineral e 1 colher e meia (dessas de sopa, claro) de pó de café 3 Corações.
Depois desse ritual todo, ela está pronta para encarar mais um dia.

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Dedico este texto as minhas mentoras Waleska Zibetti & Suzana Barbi e ao meu amigo Hectors.
Obrigada pela eterna inspiração e aprendizado.

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