Monday, 4 January 2010

ENTREVISTA A HOWARD GARDNER




Para o Pesquisador norte-americano, autor da Teoria das Inteligências Múltiplas, no século XXI a ética vai valer mais que o conhecimento.

Howard Gardner, que se dedica a estudar a forma como o pensamento se organiza, balançou as bases da Educação ao defender, em 1984, que a inteligência não pode ser medida só pelo raciocínio lógico-matemático, geralmente o mais valorizado na escola. Segundo o psicólogo norte-americano, havia outros tipos de inteligência: musical, espacial, linguística, interpessoal, intrapessoal, corporal, naturalística e existencial. A teoria das Inteligências Múltiplas atraiu a atenção dos professores, o que fez com que ele se aproximasse mais do mundo educacional.
Hoje, Gardner tem um novo foco de pensamento, organizado no que chama de cinco mentes para o futuro, em que a ética se destaca. "Não basta ao homem ser inteligente. Mais do que tudo, é preciso ter caráter", diz, citando o filósofo norte-americano Ralph Waldo Emerson (1803-1882). E emenda: "O planeta não vai ser salvo por quem tira notas altas nas provas, mas por aqueles que se importam com ele".
Além de lecionar na Universidade de Harvard e na Boston School of Medicine, ele integra o grupo de pesquisas Good Work Project, que defende o comportamento ético. Esse trabalho e o impacto de suas idéias na Educação são temas desta entrevista concedida à NOVA ESCOLA em Curitiba, onde esteve em agosto, ministrando palestras para promover o livro Multiple Intelligences Around the World (Inteligências Múltiplas ao Redor do Mundo) ainda não editado no Brasil.

NOVA ESCOLA: A Teoria das Inteligências Múltiplas causou grande impacto na Educação. Após 25 anos, o que mudou?
HOWARD GARDNER: Durante centenas de anos, os psicólogos seguiam uma teoria: se você é inteligente, é assim para tudo. Se é mediano, se comporta dessa maneira todo o tempo. E, se você é burro, é burro sempre. Dizia-se que a inteligência era determinada pela genética e que era possível indicar quão inteligente é uma pessoa submetendo-a a testes. Minha teoria vai na contramão disso. Se você me pergunta se minhas ideias tiveram impacto significativo, eu digo que não. Não há escolas e cursos Gardner, mas pessoas que ouvem falar dessas coisas e tentam usá-las.

N.E: As escolas têm dificuldade em acompanhar mudanças como essa?
G: As instituições de ensino mudam lentamente e estão preparando jovens para os séculos 19 e 20. Além disso, os docentes lecionam do modo como foram ensinados. Mesmo que sejam expostos a novos conhecimentos, é preciso que eles queiram aprender a usá-los. Se isso não ocorre, nada muda.

N.S: Como sua teoria pode ser incorporada às propostas pedagógicas?
G: No livro Multiple Intelligences Around the World, lançado este ano, diversos autores descrevem como implementaram minhas ideias. Enfatizo duas delas: a primeira é a individualização. Os educadores devem conhecer ao máximo cada um de seus alunos e, assim, ensiná-los da maneira que eles melhor poderão aprender. A segunda é a pluralização. Isso significa que é necessário ensinar o que é importante de várias maneiras - histórias, debates, jogos, filmes, diagramas ou exercícios práticos.

N.S: Como fazer a individualização do ensino numa sala com 40 estudantes?
G: Realmente é mais fácil individualizar o ensino numa sala com dez crianças e em instituições ricas. Mas, mesmo sem essas condições ideais, é possivel: basta organizar grupos formados por aqueles que têm habilidades complementares e ensinar de modos diferentes. Se o professor entende a teoria, consegue lançar mão de outras formas de trabalhar - como explorar o que há no entorno da escola. Se ele acredita que só com equipamentos caros vai conseguir bons resultados em sala de aula, não entendeu a essência do pensamento.

N.S: A lista de conteúdos está cada vez maior. Como dar conta do programa e ainda variar a metodologia?
G: É um erro enorme acreditar que por termos mais a aprender, necessitamos ensinar mais. A questão central é que várias coisas que antes tinham de ser memorizadas agora estão facilmente disponíveis para pesquisa. Colocar uma quantidade cada vez maior de informação na cabeça da garotada é um desastre. Infelizemente, essa é uma prática comum em diversos cantos do mundo. Depois de viajar muito, posso afirmar que o interesse de diversos ministros da Educação é apenas fazer com que seu país se saia bem nos testes internacionais de avaliação. E isso é ridículo.

N.E: Qual a sua avaliação sobre a Educação brasileira?
G: Acredito que, se o Brasil quer ser uma força importante no século 21, tem de buscar uma forma de educar que tenha mais a ver com seu povo, e não apenas imitar experiências de fora, como as dos Estados Unidos e da Europa. O país precisa se olhar no espelho, em vez de ficar olhando a bússola.

N.E: Sua teoria inclui um método adequado de avaliá-la?
G: Gastamos bilhões de dólares desenvolvendo testes para medir o nível em que está a Educação, mas eles, por si só, não ajudam a primorá-la - simplesmente nos dizem quem está melhor ou pior. Para saber isso, basta olhar para as notas. A diferença dos testes de inteligências múltiplas é que é necessário aplicá-los somente naqueles que têm dificuldades. Assim, podemos verificar as formas de ensinar mais adequadas a eles, ajudando todos - e a Educação, de fato.

N.E: Os testes de QI sofreram muitas críticas de sua parte. Por quê?
G. A maior parte dos testes mede a inteligência lógica e de linguagem. Quem é bom nas duas é bom aluno. Enquanto estiver na escola, pensará que é inteligente. Porém, se decidir dar um passeio pela cidade, rapidamente descobrirá que outras habilidades fazem falta, como a espacial e a intrapessoal - a capacidade que cada um tem de conhecer a si mesmo, fundamental hoje.

N.E: De que forma essa habilidade pode ser determinante para o sucesso?
G. Ela não era importante no passado porque apenas repetíamos o comportamento dos nossos pais. Agora, todos necessitamos tomar decisões sobre onde morar, que carreira seguir e se é hora de casar e ter uma família. E quem não tem um entendimento de si mesmo comete um erro atrás do outro.

N.E: Qual o desafio do mundo para os próximos anos em relação à educação?
G: Estamos vivendo três poderosas revoluções. Uma delas é a globalização. As pessoas trabalham em empresas multinacionais e mudam de país, o que é bem diferente de quando as populações não tinham contato umas com as outras. A segunda revolução é a biológica. Todos os dias, o conhecimento científico se aprimora e isso afeta a maneira de ensinar e de aprender. O cérebro das crianças poderá ser fotografado no momento em que estiver funcionando, permitindo detectar onde estão os pontos fortes e os fracos e a melhor forma de aprender. A terceira revolução é a digital, que envolve realidade virtual, programas de mensagens instantâneas e redes sociais. Tudo isso vai interferir na forma de pensar a Educação no futuro.

N.E: O livro Cinco Mentes para o Futuro aborda as características essenciais a ser desenvolvidas pelos humanos. Como isso se relaciona com as inteligências múltiplas?
G: As cinco mentes não estão conectadas com as inteligências e são possibilidades que devemos nutrir. A primeira é a mente disciplinada - se queremos ser bons em algo, temos de nos esforçar todos os dias. Isso costuma ser difícil para os jovens, que mudam rapidamente de uma tarefa para outra. Essa mente pressupôe ainda a necessidade de compreender as formas de raciocínio que desenvolvemos: histórica, matemática, artística e científica. O problema é que muitas escolas ensinam somente fatos e informações.

N.E: Como lidar com o excesso de informações a que temos acesso hoje?
G: Essa capacidade é dominada por um segundo tipo de mente, a sintetizadora. Ela nos aponta em que prestar atenção e como os dados podem ser combinados. É preciso ter critário para fazer julgamentos e saber como comunicar-se de forma sintética. Para os educadores, era mais fácil sintetizar quando usavam-se apenas um ou dois livros.

N.E: Qual é o terceiro tipo de mente?
G: A criativa. Ela levanta novas questões, cria soluções e é inovadora. Pessoas desse tipo gostam de se arriscar e não se importam em errar e tentar de novo. Essa é a mente que pensa fora da caixa. Mas você só consegue isso quando tem uma caixa: disciplina e síntese. Por isso, o conselho que dou é dominar a disciplina na juventude para ter mais tempo de ser criativo.

N.E: O livro aponta também habilidades associadas a virtudes morais.
G: Uma delas envolve o respeito - e é mais fácil explicar a mente respeitosa do que alcançá-la. Ela começa com o reconhecimento de que cada ser humano é único e, por isso, tem cranças e valores diferentes. A questão é o que fazemos com essa conclusão. Nós podemos matar e discriminar os diferentes ou tentar entendê-los e cooperar com eles. Desde que nascem, os humanos percebem se vivem em um ambiente respeitoso. Observam como os pais se relacionam e tratam os filhos, como os mestres interagem com os colegas e com os estudantes e assim por diante. O respeito está na superfície.

N.E: Essa última habilidade se relaciona à ética, certo?
G: Sim. No que se refere à ética, é necessário imaginar-se com múltiplos papéis: ser humano, profissional e cidadão do mundo. O que fazemos não afeta uma rua, mas o planeta. Temos de pensar nos nossos direitos, mas também nas responsabilidades. O mais difícil com relação à ética é fazer a coisa certa mesmo quando essa atitude não atende aos nossos interesses. Ao resumir esses dois últimos tipos de mente, eu diria que pessoas que têm atitudes éticas merecem respeito. O problema é que muitas vezes respeitamos alguém só pelo dinheiro ou pela fama. O mundo certamente seria melhor se dirigíssemos nosso respeito às pessoas extremamente éticas.

N.E: O ideal é que as cinco mentes sejam desenvolvidas?
G: Sim. No entanto, elas não se adaptam umas às outras de forma fácil. Sempre haverá tensão entre a disciplina e a criatividade e entre o respeito e a ética. Cabe a você respeitar colegas e superiores, mas, se eles fizerem algo errado, como agir? Ignorar o fato ou confrontá-los? Saber conciliar os diferentes tipos de mente é um desafio para a inteligência intrapessoal. Só você pode se entender e achar seu caminho.

N.E: Um dos focos de sua atuação, o projeto Good Work, prevê a formação de bons trabalhadores. Como eles podem ser identificados?
G: Eles possuem excelência técnica, são altamente disciplinados, engajados e envolvidos e gostam do que fazem. Além disso, também são éticos. Estão sempre se questionando sobre que atitudes tomar, levando em conta a moral e a responsabilidade e não o que interessa para o bolso deles. O bom cidadão se envolve nas decisões, participa, conhece as regras e as leia: isso é excelência. Por último, não tenta se beneficiar à custa disso. Há pessoas bem informadas que só promovem o próprio interesse. O bom cidadão não pergunta o que é bom para ele, mas para o país.

REVISTA NOVA ESCOLA
ANO XXIV, N° 226, outubro de 2009

Roxy cantando Black hole




* To aqui invadindo o blog da Roxy pra postar esse videoo,que, particularmente, eu ADORO !!!
Beijããoo.Te amo!!
Caroline Baldin (Lúúhlu kkk)

Thursday, 24 December 2009

BOAS FESTAS!!!

Não há vitórias sem lutas e nem ganhos sem perdas.
O bom de estar vivo é saber que a qualquer momento
podemos recomeçar.
Se seu 2009 foi bom, faça com que ele seja ultra, mega,
blaster melhor em 2010, mas se não foi tão bom assim,
aproveite a folha em branco para reescrever um
novo capítulo.
Te desejo muita saúde, porque com ela, você terá
forças para trabalhar, estudar e ser próspero.
Te desejo tranquilidade, porque o estresse além de estar
na moda, faz mal. Seja antiquado quanto a isso.
E por último, muita alegria! Porque aprendi que sorrir
é com certeza o melhor remédio.
Ria das suas falhas, dos desencontros, das crises,
porque tudo isso se transforma em aprendizado.
São os meus sinceros votos.
-G.C.Lima

Boas festas
ho ho ho

Saturday, 19 December 2009

Um conto de natal


1- Café da Manhã

_ Bom-dia! - diz a mãe ao entrar no quarto pela manhã.
__ Bom-dia. - responde o filho sem nenhuma empolgação ainda coçando os olhos com preguiça.
_ Hoje, depois da escola vamos ao shopping fazer compras de natal?
__ Eu quero aquele boneco superhiperirado que vem com uma arma de canhão laser e uma espada tridimensional que faz barulho, certo?
__ Veremos.
_ Pô, mãe! Qual é? Estudei pacas o ano inteiro, ajudei com os serviços da casa e fui legal com o Pedro. Só por ter sido legal com o Pedro eu mereço o boneco e bônus extra. – diz o menino apontando para o irmão mais novo que distraidamente coçava a cabeça sem nada dizer.
__ Não fez mais que obrigação. E não se refira com desdém ao seu irmão. Você já foi pequeno, sabia?
__ Mas não tinha irmão. Ah, mãe...
__ Vou pensar.
__ Hunf!


2 – Indo Para o Shopping


__ Pelo amor de Deus, esse trânsito está um caos! – buzinas soando por toda parte, congestionamento quilométrico, aproximadamente cinco da tarde do dia 23 de dezembro.
__ Mãe, o Lipe pegou o meu dinossauro.
__ Felipe devolve o dinossauro.
__ Foi ele quem começou pegando o meu carrinho.
__ Pedro devolve o carrinho.
__ Foi ele. – diz Pedro olhando desafiador para Felipe.
__ Foi você. – reponde Felipe no mesmo tempo.
__ Foi ele. – tom da voz aumentando.
__ Você. – a mãe olha pelo retrovisor impaciente com a discursão. As buzinas cada vez mais alto e um calor insuportável.
__ Devolve meu dinossauro. - gritava Pedro.
__ Devolvo nada.
__ Devolve!
_ Não!
__ VOCÊS QUEREM PARA DE BRIGAR. – gritou a mãe como uma leoa enfurecida.
__ A mamãe ficou nervosa... Viu o que você fez? – sussurrou Pedro.
__ Foi você.
__ Você.
__ AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – silêncio.


3 – Estacionamento do Shopping


__ Finalmente chegamos! Agora é só arranjar uma vaguinha.
__ Ali mãe!
__ Perfeita! Ah, aquele cara entrou na frente. Vamos procurar outra.
__ Mãe isso foi sacanagem do cara!
__ Felipe não fale palavrão! Vamos achar outra.


Vinte minutos depois...


__ Viu? Olha aqui, estacionados e prontos para irmos às compras.
__ No terceiro piso?- diz Felipe com cara de deboche.
__ Que tem isso?
__ Mamãe, quero fazer xixi. – diz Pedro puxando a mãe pela saia.
__Já vamos entrar o elevador já está vindo.
__ Mas eu tô apertado.
__ Segura um pouquinho, querido.
__ Pirralho só enche.
__ Não fala assim dele. Vamos de escada.
__ Tá quase saindo. – diz Pedro com cara apertando os joelhinhos.
__ Íamos estacionar ali se aquele infeliz não tivesse tomado nossa vaga. E já estaríamos lá dentro... – a mãe olha para Pedro com um sorriso estranho e em seguida para Felipe que se precipita.
__ Vem Pedro! Vamos lavar as portas daquele carro.
__ É! Vamos.


4 – No Shopping

__ Menino cuidado para não se perderem!
__ Eu estou aqui, mãe.
__ Eu também, mamãe.
__ Está lotado hoje, isso aqui.
__Primeiro vamos comprar o meu boneco, né mãe? – disse Felipe apontando para a loja de departamento.
__ Primeiro quero ir à casa do papai Noel. – intimou Pedro.
__ Depois.
__ Não. Agora!
__O papai Noel pode esperar. – a mãe ao lado das duas crianças que discutiam respirando fundo para controlar-se. – Papai Noel nem existe.
__ Cala a boca, Felipe! – intervém a mãe vendo os olhos de Pedro enchendo-se de lágrimas. – Vamos ver a casa do papai Noel primeiro e DEPOIS compramos o seu boneco.
__ @#%$*!!!!
__ Felipe!


5 – Na Casa do Papai Noel

__ Que lindo! – exclama a mãe olhando as cores e forma de bonecos e anjos que enfeitam o shopping. – Vamos fazer uma foto.
__ Ah, mãe!
__ Felipe só uma. Aqui perto dessa rena, assim eu pego também a casa do papai Noel.
__ Eu posso subir na rena, mamãe? – diz Pedro já em posição para cavalgar o boneco.
__ Não, filho!
__ Então posso abraçar?
__ Abraçar pode, mas não ponha...
__ A cabeça da rena caiu! – exclama Felipe caindo na gargalhada ao ver o susto do irmão.
__ Eu não queria machucar a rena... – os olhinhos de Pedro cheios de lágrimas iam da mãe ao irmão e daí para a rena, cheio de compaixão e culpa.
__Você não machucou a rena, Pedro. Você a matou! Ela agora vai ser a rena-sem-cabeça. – disse Felipe ainda rindo do desespero do irmão.
__ Não fale assim, Felipe! – disse a mãe olhando a cabeça da rena pendurada, sem saber se tentava consertar o bicho, consolava o pequeno Pedro ou ria de toda a situação. – Pedro, ela não morreu é só um boneco. Vamos pôr a cabeça assim, no lugar. Deus a cabeça não fica! – risos de Felipe, choro de Pedro, desespero da mãe. – Será que vou ter que pagar por isso?
__ Putz! Assassino de Rudolf, você não ganhará presente esse ano. – sentenciou Felipe.
__ Manhê!
__ Vai sim, Pedro. Felipe pára com isso e venha me ajudar a pôr essa cabeça aqui.
__ Senhora?
__ Ó, Senhor! – diz a mãe olhando um homem uniformizado atrás dela.
__ Eu sou da administração do shopping pode deixar que cuidaremos disso. Afinal, acidentes acontecem.
__ Me desculpe, moço. – diz a mãe envergonhada diante do sorriso paciente do funcionário do shopping.
__ Tudo bem, senhora. Tudo bem. Pode ir agora e boas compras.
__ Obrigada.


6 – A Foto Com o Papai Noel

__Que saco! Pra que tirar essa foto? Que saco, mãe!
__ Felipe, ele é pequeno e precisa dessas recordações. Você já teve sua fase, respeite a dele.
__ Mãe, isso é ignorância. Estamos nessa fila a quinze minutos esperando esse velho, que pode ser um pedófilo disfarçado, pegar o Pedrinho no colo e sabe-se lá fazer o quê...
__ Que isso menino?
__ Mãe, só um pedófilo ficaria vestido com uma roupa dessa quente pra burro, sorrindo, enquanto crianças remelentas o enchem de perguntas idiotas, apertos, puxões e beijos babados de pirulito. Pense bem mãe: você se sujeitaria a isso?
__ Vamos embora, Pedro. – diz a mãe puxando firme a mão do menino, enquanto olhava desconfiado para a cara do papai Noel que beijava amavelmente uma menininha sardenta. – Fotos com papai Noel não são legais.

7- Na Loja

__ Oba! Vamos lá comprar o meu boneco.
__ Primeiro a árvore e os enfeites.
__ Mas por quê?
__ Porque temos que escolher com carinho e o seu boneco é sempre o mesmo.
__ Ah ta! Vamos.
__ Cadê o Pedro? – diz a mãe olhando ao redor e dando a falta do menino.
__ Pedro! – grita Felipe.
__ Pedro? – grita a mãe.
__ O papai Noel pegou ele por causa da rena.
__ Pare de graça, Felipe. Temos que achar seu irmão.
__ PEDRO!
__ Senhora?
__ O senhor novamente? Olha, perdi meu filho e agora não é um bom momento para falar da cabeça da rena.
__ Não é isso. Aquela criança ali é filho da senhora? – diz o funcionário do shopping apontando para um menino que subia rindo-se a valer pela árvore que enfeitava o hall do shopping.
__ CARACA!
__ Felipe, pare de falar palavrão.
__ Caraca não é palavrão.
__ Pedro, meu filhinho desça já dessa árvore. Como foi que você subiu aí? Moço, o senhor poderia... – apontou a mãe ainda boquiaberta para a mesma árvore.
__ Claro, senhora! – responde o funcionário do shopping esforçando-se para manter-se calmo.
__ Desculpe.
__ Boas compras. – responde novamente o funcionário do shopping devolvendo Pedro a sua mãe.

8 – A Árvore

__ Essa aqui é a ideal. Nem tão grande nem muito pequena. Agora vamos escolher os enfeites?
__ Põe bolas coloridas. – sugeriu Felipe.
__ Prefiro papai Noel. – diz Pedro.
__ Podemos pôr os dois. – diz a mãe.
__ Vai ficar parecendo carro alegórico.
__ Eu gosto de anjos. O que acham?
__ Mas vai ter papai Noel também, né?
__ É muita coisa, Pedro. – disse Felipe – Anjos é legal e combinam com bolas.
__ Não é muita coisa. – retruca Pedro.
__ É sim.
__ Não é.
__ CHEGA! – interfere a mãe antes que a discurssão de Pedro e Felipe se estendesse. – Os dois calados. Levaremos sinos e enfeites, pronto. Usos, coelhos, borboletas... Nem bolas, papais noéis ou anjos.
__ Por mim... Tudo bem. – concorda Pedro.
__ Puxa-saco. – provoca, Felipe.
__ Não sou.
__ É sim!
__ AAAAAAAAAAAH!
__ viu o que você fez? A mamãe ficou nervosa.
__ Silêncio os dois, por favor.

9 – A Roupa de Pedro

__ Agora vamos ao boneco!

__ Felipe, vamos comprar uma roupa para o Pedro e depois vamos ao seu boneco.
__ Hunf!
__ Eu quero essa roupa. – diz Pedro apontando para um conjunto de calça e casaco de moleton que estava em liquidação em uma banca.
__ Mas essa não é uma roupa legal para o natal, Pedrinho. Vamos ver essa aqui.
__ Mãe, essa nem tem dinossauro.
__ Meu anjo, ela tem carros. Olha que linda!
__ Mas eu prefiro dinossauros.
__ Mas essa é de inverno e estamos no verão.
__ Vamos levar uma do Jason para ele, mãe. – diz Felipe com um riso no canto dos lábios.
__ Por que?
__ Ele não é assassino de renas? - a mãe controla o riso, mas o pequeno Pedro cai em choro.
__ Felipe! Pedrinho vamos levar a roupa de carros, está bem?
__ Mas eu quero a de dinossauro.
__ Escuta aqui, moleque! - disse a mãe falando firme e olhando mais firme ainda para Pedro. – Você vai levar a de carros porque os dinossauros comem rena e você já está muito sujo com o papai Noel por causa do Rudolf. Você não vai querer que ele saiba que você anda por aí com uma roupa de quem come rena, não é?
__ Pegou pesado, dona Elisa. Gostei de ver!
__ Cala a boca, Felipe!


10 – O Boneco

__ Pegue o seu boneco.
__ Até que enfim! – e Felipe sai em disparada pela loja. Voltando rapidamente com uma caixa a qual exibia com orgulho. – É esse!
__ Então vamos...
__Senhora?
__ Pois não.
__ Eu já tinha pegado esse boneco. E não sei se a senhora sabe, mas esse é o último da loja. Então, por favor, queira me devolver.
__ Não!
__Como não?
__ Não tem o seu nome nele e ele estava ali na prateleira.
__ Eu o coloquei ali, enquanto fui buscar um carrinho para pôr as minhas compras.
__ Pois saiba que: achado não é roubado e quem perdeu foi relaxado. Se queria o boneco, segurasse.
__ A senhora vai querer brigar por causa de um simples boneco?
__ Se é um “simples boneco” você não se importará que meu filho fique com ele.
__ Mas eu o estou comprando para o MEU filho.
__ E eu estou comprando para o MEU. Comprar este boneco abominável virou uma questão de honra. Chame a polícia se for o caso. Vamos aos tribunais. Mas este boneco... – dizia a mãe em tom de discurso diante das pessoas que já se acercavam para saber o que acontecia. – Este boneco feio... Este boneco aqui... Será seu. – sentenciou apontando o boneco para Felipe como um rei passando sua coroa ao príncipe herdeiro.
__ A senhora é louca!
__ Sou sim. Estou maluca! Alucinada! Descabelada! Ensandecida! E infeliz daquele que tentar tirar esse boneco de minhas mãos.
__ Senhora...
__ O QUE É? – gritou a mãe já completamente enfurecida.
__ Calma! – era um funcionário da loja com um sorriso timidamente assustado. – Eu só quero avisar que chegou uma nova remessa desses bonecos, assim sendo você pode ficar com esse.
__ Obrigada. – disse a mãe sentindo-se diminuir diante de todos que olhavam para ela.

11- O Lanche


__ Viu o mico que você me fez pagar? – diz a mãe saindo de cabeça baixa de dentro da loja de departamento.
__ Mico? Mãe você pagou um King Kong. Foi horrível.
__ Se você, Felipe, abrir sua boca mais uma vez hoje, você vai levar uma surra no mínimo HOR- RO- RO- SA.
__ Hum rum. – resmungou Felipe olhando os olhos da mãe que soltavam da órbita de tanta raiva.
__ Quero comer um daqueles lanches que vem com um bonequinho do “Doguinho, o cão zinho fofo”, mamãe.
__ Pedro, olha aquela fila, meu filho! Vamos comer outra coisa.
__ Mas quero o Doguinho, mamãe.
__ Filho...
__ Mamãe... - e finalmente Pedro apela para o olhar meigo e sua mãe cede.

Dez minutos depois...

__Um lanche do Doguinho, por favor. Um lanche completo. E... O que você quer Felipe?
__ ??? _ Felipe dá de ombros.
__ Que? Que cara é essa?
__ !!! _ Felipe balbucia algo com os lábios cerrados.
__ Menino fala o que quer.
__ ... – Felipe olha para a mãe como que não entendendo. E fala algo no ouvido de Pedro.
__ Anda!
__ Mamãe, o Lipe falou que se ele falar você disse que ia bater nele.
__ E quando foi que você começou a me obedecer? _ disse a mãe olhando para Felipe que novamente cochichava ao ouvido de Pedro.
__ Ele falou que desde que viu nos seus olhos a surra horrorosa.
__ Felipe, fale comigo AGOOOORA!
__ Eutambémqueroumlanchecompleto. _ falou Felipe de uma só vez.
__Senhora lamento informar, mas a miniatura do Doguinho acabou. Podemos substituir.
__ Está de brincadeira? Eu estou a meia hora nessa droga de fila por causa dessa porcaria e você quer substituir o Doguinho? Francamente!
__Oh, oh... _ disseram ao mesmo tempo Felipe e Pedro.
__ Essa sua espelunca tinha que ser fechada. Propaganda enganosa é crime, sabia? Tenho direitos de consumidora defendida por lei, sabia? Se anunciaram a porcaria dessa cão cabeçudo tinha que ter a porcaria do cão desse cão cabeçudo para pôr no lanche, sabia?
__Substitui pelo Palhacito, moça. – disse timidamente Pedro.
__ Também não tem, querido.
__ Estão vendo? Não tem nada nessa joça. – falava impaciente a mãe.
__ Tem o Gordinho? – continuou Pedro tentando descolar um brinde para seu lanche.
__ Não.
__ Vejam isso, senhores. Absurdo! Absurdo! Absurdo! – a mãe já não diferenciava suas atitudes e parecia mais criança que o Pedro que ainda negociava seu lanche tranquilamente, enquanto a fila na lanchonete só aumentava.
__ Mas temos esse boneco aqui. Ele tem uma espada tridimensional q faz barulho e uma arma de canhão laser. – disse a atendente da loja mostrando a Pedro um boneco igual ao de Felipe.
__ Quero esse. – decidiu-se Pedro.
Felipe e a mãe olhavam boquiabertos um para o outro, depois para o boneco. E não disseram mais nada desde então.



12- A Volta


__ Finalmente vamos para casa. – disse a mãe.
__ Nem fala.
__ Onde foi mesmo que estacionei? – disse a mãe olhando admirada o número a mais de carros no estacionamento.
__ Ah mãe! A senhora não marcou o local?
__ Como eu ia imaginar que isso ia ficar assim, Felipe?
__ Com esse peso todo mãe, a gente vai ficar procurando por horas.
__ Não reclama menino. Vamos! Vamos! Vamos!
Uns minutos depois...
__ Nem foi tão difícil, foi?
__ Não. – responde Felipe revirando os olhos.

Enfim entram no carro e o pequeno Pedro logo começa cochilar. Enquanto Felipe e a mãe vão pelo trânsito cantando canções de natal, acompanhados pelos anjos que os protegeram a tarde inteira.

(Waleska Zibetti)

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Confira uma entrevista com esta fenomenal escritora feita para o site Recanto das letras?
http://recantodasletras.uol.com.br/entrevistas/1136421

Sunday, 13 December 2009

Univale 2010-Vestibular


Univale 2010 - Vestibular

No domingo do dia 13 de dezembro de 2009, o sol nasceu maravilhosamente perfeito, 'laranjado' e extremamente quente na cidade do interior de Minas Gerais, Governador Valadares.
Mais de mil alunos estavam presentes para fazer o teste.
Aquele velho clichezão sobre chegar uma hora antes do início das provas, e pensando que você se acomodaria logo, se refrescando do calor infernal bebendo uma água, enquanto aguarda o início do teste.
Os 'portões' nada que abriam, e alunos ansiosos e frustrados com a inquietude do sol rachando, reclamavam por terem cumprido o horário em vão. "Acordar as 7am pra chegar aqui e ficar no sol aguardando? Puta sacanagem!!" Comentários do tipo eram feitos durante a espera, e com razão.
Então me diga o porquê de chegar uma hora antes?
Enfim, faltando 10 minutos para as nove, horário marcado para o início das provas, alunos começam a procurarem suas salas.
Bom, imprevistos sempre rolam, mas precisava acontecer um logo hoje?
Infelizmente um ônibus com alunos ficou preso em algum lugar e fez com que adiassem a prova que seria as nove, para as dez.
Mas para a alegria de muitos, a prova foi fácil e ansiosos aguardam pelo resultado que será divulgado dia 16.
Aguardem e boa sorte!!

Saturday, 5 December 2009

Meu twitter



Acompanhem de perto minhas atualizações em blogs, recanto das letras e youtube pelo meu twitter.

www.twitter.com/gabriellaclima

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Friday, 4 December 2009

Understanding cover

A dor que te oprime, o medo que te prende;
Liberta a vida em mim...
Na nossa vergonha mútua escondemos nossos olhos
para cegá-los da verdade
que descobre um caminho para quem realmente somos;

[Não consigo levar tudo embora]
[Não posso desejar que tudo se vá]
[Não posso esperar que tudo acabe]
[Não consigo chorar pra que tudo acabe]

Deitada ao teu lado, ouvindo você você respirar.
A vida que flui de você queima dentro de mim.
Espere, e fale de amor comigo sem um som...
Me diga que você vai viver através disso
e eu morrerei por você
Não me expulse...
Diga que você estará comigo
Porque eu sei que não suportarei tudo isso sozinha...