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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Morrer e renascer.

Phoenix

Aos poucos habituou-se ao novo estado, acostumou-se a respirar, a viver. Aos poucos foi envelhecendo dentro de si, abriu os olhos e novamente era uma estátua, não mais plástica, porém definida. Bem longe renascia a inquietação. À noite, entre os lençóis, um movimento qualquer ou um pensamento inesperado acordava-a para si mesma. Levemente surpreendida dilatava os olhos, percebia seu corpo mergulhado na confortável felicidade. Não sofria, mas onde estava?

Trecho de Perto do coração selvagem. 

sábado, 28 de setembro de 2013

Nonsense se faz necessário

Comecei ontem a re-estudar Clarice para a discussão no Clube do livro "Café aux lettres", que será no final de outubro sobre o livro Perto do coração selvagem. Fiquei louca quando o título que sugeri foi sorteado, e de presente, as companheiras deixaram eu ser a patrona da vez.
Costumo ser ainda mais caprichosa e atenciosa quando o autor me seduz. Clarice me ganhou até mesmo antes deu conhecer seus textos. Como muitos de meus pensamentos são "nonsense", decifrar a autora para mim é prazerosíssimo e divertido. Rio muito com suas palavras.
Comentei com uma membra do grupo que antes do Clube se concretizar, eu queria mesmo era fazer um Clube de leitura da Clarice Lispector. Ponto. Mas aonde eu encontraria só amantes dela? 
Lendo o livro La cantatrice chauve de Eugène Ionesco na oficina de teatro do curso de francês, a gente se depara com os textos de Teatro Absurdo. Até então, você pensa naquele monte de palavras sem noção, desconexa, e inútil, mas como disse André Le Gall, biógrafo de Eugène Ionesco, "Não é porque não compreendemos uma coisa que ela é absurda".
As notas de nonsense, quando sustentadas ao longo de muitas páginas nos livros de Clarice, têm um efeito inquietante, hipnótico, porém é uma parte que existe dentro da gente que nós ignoramos, mas ela sempre esteve lá.
Nonsense se faz necessário.
Ler Clarice é dar importância às coisas que a gente deixa passar só porque achamos insignificantes.
Portanto, companheiras do Clube, e amantes de C.L, a dica que deixo para lê-la é: Leia!
Deixe ela entrar.
C'est tout.

Beijo no coração e bom sábado.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

CORUJA DEPRESSÃO

"Viver ultrapassa todo o entendimento." C.L Quem aqui já leu Clarice Lispector alguma vez na vida? Seja lá em uma frase, um pensamento ou crônica? Bom, acredito que até aquelas pessoas que não a suportam, a conhece de alguma forma. Ainda me pergunto o porquê de existir pessoas com aversão a sua forma simples, poética e limpa de ver as coisas e saber expressar aquele olhar em palavras mágicas. Clarice dizia: “Suponho que entender não seja uma questão de inteligência, mas uma questão de sentir, de entrar em contato.” E infelizmente, meu caro leitor, não é todo mundo que dota dessa virtude. Paciência! Bom, hoje na classe de francês, eu ria me divertindo com o jeitinho especial da minha amiga russa de conversar. Ela tem a língua presa igual de Clarice, e isso me fez entrar no assunto Ela. Até comentei com a colega que iria postar o único vídeo dela que existe no youtube. Nika, espero que goste de ver nossa adorável escritora ainda em vida, elegante que só, fumando seu cigarro e falando com aquele ar de que “eu tenho sotaque francês” encantador. Um beijo PS- título banal para chamar a atenção.

domingo, 14 de agosto de 2011

Uma paixão chamada Clarice.




É difícil explicar algumas emoções.
Hoje perguntei para um amigo se há alguma coisa que quando ele vê, se emociona. Primeiramente ele não entendeu. Tentei explicar dando meu exemplo: “Eu choro quando vejo fotografias de uma autora que sou apaixonada”. Ele riu. Às vezes acho que sou uma manteigona de plantão, porque até algumas propagandas de TV conseguem me tirar lágrimas. Engraçado.
Estou lendo a biografia da escritora Clarice Lispector que um biógrafo americano escreveu. Benjamin Moser viajou pelos quatro cantos do mundo onde Clarice esteve para colher material para o livro. Depois de cinco anos de estudos sobre a autora brasileira, ele conta passo a passo como a família russa veio chegar ao Brasil e como Clarice veio se tornar esse mito que hoje é estudado em vários países.
Antes de saber de algumas informações íntimas dela, eu não conseguia entender o porquê de sua melancolia, e o fato de seus textos serem tão introspectivos. Até certo momento da leitura eu ainda achava que ela não tinha motivos o bastante para viver em função de um trauma no qual ela sofreu nos primeiros meses de idade até pouco mais de 2 anos. É natural a gente esquecer com o tempo, mas tamanha circunstancias e o genes, parece não ter ajudado muito.
Eu me identifico muito com ela e seus infinitos personagens em alguns momentos da sua escrita. Ela é o tipo de mulher que só de abrir a boca, ou você confessa que se apaixonou, ou confessa que odeia amá-la. De dois um.
Seus textos são loucos? Sim. Às vezes desconexos, mas é ai que a curiosidade sobre essa “esfinge” nos assola.
Alguns livros são cansativos. Outros inalcançáveis para uma primeira leitura. Eu poderia sugerir para os leigos lerem algumas de suas crônicas e pensamentos. Então, absorver a excentricidade de seus livros é para PhD? É, pode ser. É uma viagem pelo interior da mente brilhante de várias pessoas que estão escondidas por ai. Contanto que você queira, queira muito embarcar numa viagem mística, conheça a Joana, a Lídia, a Virginia. Tantas mulheres que juntas são Clarice, nada mais nada menos, Clarice.
E essa Clarice sou eu, é a sua mãe, sua avó, sua pior amiga, Clarice é você.
Desculpa essa overdose de Clarice, e confesso que ando produzindo pouco menos, pois a mente anda correndo para sugar o que puder dessa mulher que tanto causou em sua época.
Te faço um convite para descobrir um pouco sobre ela também. Descubra-se.

Ótima semana pessoal!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Clarice Lispector




Este post é uma reprise do www.gabriellalimaus.wordpress.com

Dedicarei o texto hoje a Clarice Lispector, Beth Goulart e Rafaela Drummond (minha personagem em O diário idiota de Rafaela).
Como sabem, meu primeiro livro finalmente sairá neste primeiro semestre de 2011. Estou super contente. A Rafa começou a narrar sua história quando eu não suportava mais as brigas e gritarias de outras duas personagens vampiras do meu futuro romance Reencarnação vampirica.
A minha ligação com Lispector é curiosa, porque só fui ler seus trabalhos depois de ter recebido um comentário na qual falavam que a forma como escrevo lembrava o jeito de Clarice. Realmente meus personagens são excêntricos e ao mesmo tempo comuns. Portam de uma alma questionadora, que travam entre si, uma batalhe de pensamentos certos e errados, mas e o mundo lá fora? Como fica? Engraçado que são poucas pessoas que valorizam os detalhes e acho que é neste ponto que posso concordar que pareço com a Clarice. Nós conseguimos fazer de um simples fato, de um simples objeto, poesia.

De origem judaica, Clarice é aterceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família dela sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano. Chegou no Brasil quando tinha dois meses de idade.
Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância. Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche.
Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela. Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi enterrada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.
Além de escritora, Clarice foi colunista do Jornal do Brasil, do Correio da Manhã e Diário da Noite. As colunas, que foram publicadas entre as décadas de 60 e 70, eram destinadas ao público feminino, e abordavam assuntos como dicas de beleza, moda e comportamento.

Vou ser honesta a vocês confessando que não são todos os seus textos que eu compreendo bem e que gosto, mas Clarice soube usar sua mágica para se tornar eterna e única, e é isso que faz com que suas obras sejam estudadas em vários paises.
Hoje, Clarice é referência para muitos jovens que tem pensamentos próprios, que não tem medo de expor suas emoções e que acha belo o amanhecer nublado. Aposto que Lispector se emocionava até assistindo propaganda!
Clarice é amor, é a simplicidade, a inocência, a versatilidade, o belo e o feio. Clarice é a inspiração para poetas que pensam que esqueceram como escrever!

Fonte: wikipedia.com.br