Mostrando postagens com marcador lockdown. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lockdown. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Uma vez na prisão



- Você é bem durona, não é Gipsy? Sei que é fácil se convencer de algo que você não é. E pode fazer isso lá fora. Dá para seguir em frente.  Basta se manter ocupada pra não ter que encarar quem você é. Mas você é fraca.
- Saia de perto de mim!
- Sou como você. Também sou fraca. Não consigo passar isso aqui sem ter alguém para tocar e amar. Isso acontece por que o sexo alivia a dor? Ou por que sou um monstro sexual? EU NÃO SEI! Mas sei quem eu era antes de entrar aqui. Eu era alguém com uma vida que eu tinha escolhido.  E agora o lance é superar um dia sem chorar. E ainda tenho medo. Tenho medo por eu não ser eu mesma aqui ou tenho medo de ser. As outras pessoas não são o pior da cadeira, Gipsy,  a parte mais assustadora é encarar quem você realmente é, pois uma vez aqui dentro,  você não tem pra onde fugir mesmo se conseguisse correr. A verdade te encontra aqui. E  você acaba sendo uma fracassada de verdade.

(OITNB)

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

LOCKDOWN



Uma vez escrevi no diário dos meninos que pessoas fortes também se deprimem.
Estou "lockdown" já faz uns meses, adiando aceitar que finalmente o meu lugar "especial" me adoeceu.
Por quatro meses achei que estava só estressada, fadigada, oprimida...
Percebi há pouco menos de 3 meses que as coisas que se passavam na minha mente e os choros inconstantes e perturbadores eram a serotonina do meu cérebro despencada no chão.
Procurei ajuda.
Mudei de emprego, de novo. Me enchi de novas esperanças.
Uma dose de 20mg de serotonina depois do café da manhã tem me ajudado a não pensar naquelas coisas feias.
Pensei estar bem, foi quando percebi que a terapia que fará efeito é estar um pouco perto de gente, "gente", entende?
Sei que estou em falta com uma porrada de pessoas, mas por me preocupar mais com o que elas pensavam sobre mim, foi que ai que me perdi.
Quero brincar com meus meninos. Dar susto na minha irmã mais velha, chegando cedinho na loja dela, e vendo ela chorar de alegria ao me reencontrar.
Quero tomar café com o André, rir das piadas da Mirely, esmagar o Romero e o Gabriel de tanto abraçar e beijar.
Quero dormir na casa da tia Miloca e me sentir segura quando ela ora por nós antes de dormirmos.
Quero comer broa e biscoitão assado da minha mãe.
Quero viver, antes de pensar o que fazer depois desse tapa na cara que recebi no dia 25.
Sei que Deus está no controle... não ouso perder a fé. And to survive, I lockdown...